quinta-feira, 22 de outubro de 2009

CAP. I - Realidade

“Nas palavras de um coração partido, são só emoções, tomando conta de mim... “
Destiny's Child - Emotions

Era aí que ela se enganava. Esse era só o começo.
Estava encolhida num canto da sala. Não sabia como chegara ali nem onde deveria estar. A raiva e a vergonha a entorpeciam. O telefone tocou e continuou tocando. Ela sequer escutou.
- Como pôde... Como pôde fazer isso comigo? - pensou.
Não sabia explicar. O telefone tocou de novo e desta vez ela escutou. Mas não atendeu. Não queria falar com ninguém, não queria ver ninguém e não queria ser vista por ninguém. Se sentia envergonhada, humilhada e feita de trouxa. E, principalmente, Ágata sentia uma raiva crescer dentro de si, uma vontade inexplicável de esbofetear Guilherme e quem quer que fosse a vadia que ele estava agarrando e, plena praça pública. Vadia, essa, de cabelos negros e ondulados, exatamente como em seu sonho... Não, desta vez era realidade. Realidade dura e cruel.
- Infeliz...- repetia em sussurros para ninguém ouvir. Bobagem. Não havia ninguém lá. Havia apenas o telefone tocando e tocando, mas ela estava perdida nas lembranças da baixaria polêmica daquela tarde.
Sua tia Rita de Cássia a chamara para ir a shopping da cidade vizinha. Ágata estava a caminho do ponto onde combinaram de encontrarem-se quando se deu o flagrante.
Ficara simplesmente atônita. A semelhança entre a cena e o seu sonho pertubador era surreal. Quando Guilherme percebeu que a garota o olhava, chocada com o que via, ficou desconcertado. Pediu licença a morena e foi falar com Ágata.
- Ágata... -começou, mas foi interrompido.
- O que vai dizer? Pedir desculpas de coração? Não me faça rir. - disse Ágata em tom desafiador.
- Olha, eu posso explicar... Eu fui um idiota...
- Não, Guilherme, a idiota da hisória aqui sou eu! Eu, que confiei cegamente em você, enquanto você ria da minha cara e se divertia com a primeira biscate que apareceu na sua frente!- lágrimas de raiva brotavam e ameaçavam sair de seus olhos, mas Ágat mantia-se firme, enquanto alguns enxeridos se aproximavam para assistir de camarote ao "showzinho" do casal.
-Como você acha que eu me sinto quando te vejo fazer isso? Com todo mundo me chamando de chifruda pelas costas? ME DIZ!- a essa altura Ágata já estava fazendo um escândalo, gritava feito uma louca. Lágrimas riscavam sua face, mas ela as enxugava fervendo de ódio.
- Escuta, me perdoa, eu posso melhorar, me dá mais uma chance. - pediu ele, visivelmente incomodado com a atençao que estavam chamando.
- Quer saber? Que se dane! Já estou farta de tudo isso. Quanto mais cedo eu for embora, melhor.
- Embora? Como assim? - perguntou Guilherme, um pouco surpreso. Mas Ágata não queria mais saber de conversa, já estava se retirando. - Espera! Me explica direito essa história!
- Ah, vai te catar, desgraçado. - fez um gesto grosseiro com as mãos e saiu desnorteada rua afora. Rodou durante alguns minutos (ou seriam horas?)até achar o caminho de casa, não sabia como.
O telefone tocou mais uma vez. Ela o xingou antes de atendê-lo. Era tia Rita, querendo saber por que não fora ao shopping. Disse que estava se sentindo mal (o que também não era uma mentira), pediu mil desculpas e falou que com certeza iria visitá-la no dia seguinte, antes que partisse.

Mais tarde, Vera Lúcia chegou do serviço ao fim do expediente e encontrou-a sentada no sofá assistindo qualquer coisa na TV.
- Olá. – cumprimentou Vera.
- Hum... – respondeu Ágata sem ânimo.
- O que houve? – perguntou a mãe da menina, já pressentindo algo errado.
- Ele me chifrou. – respondeu a garota mudando o canal da televisão – E não tem nada que preste na TV.
Vera Lúcia deu um longo suspiro. Era isso o que temia: ver a filha sofrer por um rapaz que não sabia lhe dar valor. Foi exatamente o que acontecera com Vera na adolescência. Envolvera-se com um homem insensível que não soube amá-la e o resultado fora este. Era mãe solteira e sustentava a casa e a filha de quinze anos sozinha. Agora, graças ao seu novo chefe, conseguira uma promoção no emprego, trabalharia para uma filial da empresa na capital, e moraria num lugar decente para educar sua filha.
- Escute quando eu te digo: não vale a pena. - disse Vera, mais para si mesma que para a filha – Se ficar se culpando, você só vai se machucar mais no final.
Ágata sorriu e a abraçou ternamente, dando-lhe um beijo na testa. Apesar de Vara nunca ter lhe contado sobre seu pai, a garota sabia que o que a mãe sofrera fora incomparavelmente pior que a situação que estava vivendo agora.
- Tia Rita quer que a gente almoce na casa dela amanhã- desconversou Ágata – Vai ser uma despedida, já que nós pegamos a estrada no domingo bem cedo.
Vera fez que sim com a cabeça. Ágata foi tomar um banho e se deitar. Amanhã seria um longo dia.
FIM DO CAPÍTULO I

2 comentários:

  1. eu amo sua história, carã O.o cada vez que eu leio, quero ler cada vez mais, nñ vejo a hora de sair o proximo capitulo ! amo vs, amiga, vs é uma ótima escritora *-* by, thais

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