terça-feira, 27 de outubro de 2009

CAP. III - Despedidas

"Depois de tudo que você me fez passar
Você imaginou que eu o menosprezaria
Mas no fim, eu quero lhe agradecer
Porque você me fez muito mais forte."
Fighter - Christina Aguilera


O dia seguinte amanheceu ensolarado e quente, típico do mês de Janeiro. Ágata sentia-se ensolarada como o clima ao acordar. Resolvera deixar as mágoas secarem ao sol daquela linda manhã de verão. Chorara muito, mas agora já não lhe restava uma única lágrima. A vergonha,a tristeza, a raiva, tudo isso se fora como nuvens passageiras, deixando em seu lugar uma vontade de viver a vida e encarar o mundo como jamais fizera, de uma forma mais otimista, mais corajosa.


"Bem, eu achei que conhecia você
Pensando que você é verdadeiro
Eu acho que eu, eu não podia confiar
Acabou o tempo para suas baboseiras
Pois eu já tive o bastante
Você estava ao meu lado
Sempre pronto para o que viesse
Mas a sua jornada da felicidade pegou fogo
Pois sua ganância me vendeu na vergonha
Depois de todos os roubos e trapaças
Você deve achar que eu guardo ressentimentos de você
Mas, oh não, você está enganado
Pois se não fosse por tudo que você tentou fazer
Eu não saberia o quanto sou capaz de aguentar
E por isso quero dizer obrigada"


No fim das contas, tinha mais era que agradecer a Guilherme. Nunca soubera o quanto era forte, o quanto podia suportar... Mas agora era diferente. Ela podia sentir, após aquela noite de lágrimas, a força dentro de si, como jamais sentira antes.

"Pois isto me faz muito mais forte
Me faz trabalhar mais arduamente
Me faz muito mais sábia
Então obrigada por fazer de mim uma lutadora
Me fez aprender mais rápido
Fez minha pele um pouco mais espessa
Me faz muito mais esperta
Então obrigada por fazer de mim uma lutadora"


* * * * * * *

O almoço na casa de tia Rita foi bom na medida do possível. é claro que Rita xingou e amaldiçoou Guilherme até sua quinta geração assim que soube da desfeita que este fizera à sua sobrinha. Ágata não pode deixar de dar boas gargalhadas com as exclamações da tia.
- Cachorro, galinha! Esse é mesmo um safado que não merece o feijão que come! Excomungado duma figa...
- Calma, Rita. -interrompia Anésio, que considerava a hora da refeição sagrada e não gostava de discussões à mesa.
Rita resmungou por algum tempo, mas logo calou-se. Despediram-se todos ao fim da tarde, menos Anésio que despedira-se após o almoço e logo fora trabalhar.
- Adeus, irmãzinha. Que o Nosso Senhor do Bonfim te proteja, viste?- dizia Rita maternalmente à Vera Lúcia - E você, mocinha, se comporte bem e estude bastante, viu?
- Pode deixar tia - disse Ágata disciplentemente - Adeus, Rosinha. Venha me visitar qualquer dia, tá?
- Vou sentir saudades... - disse a menininha de cinco anos choramingando e abraçando a prima.
Ágata não pôde deixar de chorar também, mas sabia que, de alguma forma, sua vida estava prestes a mudar drasticamente assim que partisse pela manhã para o desconhecido.
A garotinha Rosa ficou à porta, soluçando, até que a imagem da tia e da prima se perdesse no horizonte.

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