"Ela é rainha da volta às aulas
Ela é a estrela na cena
Não há como negar que ela é adorável
Pele perfeita, cabelo perfeito
Corações perfumados por todos os lados."
Saving Jane - Girl Next Door
Era o primeiro dia de aula, e ela estava pronta para arrasar. Queria estar linda. Seus cabelos caíam em cascata até a sua cintura, seus olhos azuis se destacavam cheios de maquilagem em sua face alva.
- Perfeita! - disse Íris para seu próprio reflexo no espelho.
Íris era aquele tipo de garota que poderia ser chamada de Rainha da Volta às Aulas. Estava ansiosa para retornar à escola. Não que se importasse muito com os estudos. Simplesmente, jogaria charme nos meninos e causaria inveja nas meninas. Ah, claro, Íris era uma garota de quinze anos, fútil e vaidosa, além de ter sido mimada pela mãe e pela irmã mais velha, desde que perdera seu pai, aos doze anos. Daniela, a mãe, era florista, e não ganhava muito, mas sempre que podia atendia aos pedidos da filha. Isabel, a irmã, tinha um salão de beleza que estava dando muito lucro, e toda vez que sua mãe não cedia a insistência de Íris, ela própria atendia à irmã caçula.
O grande sonho de Íris era o de ser uma modelo famosa, ou uma consultora de moda, ganhar muito dinheiro e comprar uma casa nova para a mãe viúva e a irmã, já noiva há dois anos. Apesar do jeito "fresco" e da personalidade forte, Íris também tinha algumas qualidades como a criatividade, que estava sempre a seu favor, auxiliando nos trabalhos escolares para compensar as notas baixas nas provas. Além disso, sempre foi uma ótima amiga, sempre presente nas horas boas e ruins.
A buzina de uma moto soou alto do lado de fora da casa. Isabel berrou:
- Vai querer carona?
- Não, vou com a Sara. - berrou Íris em resposta, sem se preocupar em agradecer a irmã.
Já estava sozinha em casa, terminando de se arrumar, quando Sara chamou por ela do portão. Apressou-se, pegou os cadernos e a grande bolsa roxa, saiu e trancou a porta.
- E então? Como estou? - perguntou a loira animada, dando uma voltinha.
- Metida como sempre. - respondeu Sara com um sorriso que não escondia a tristeza em seu olhar.
- O que aconteceu? - perguntou Íris já notando algo errado.
- Nada, nada... - suspirou Sara sacudindo a cabeça - Vamos buscar a Gabi?
- Tá... a Renata não vai com a gente?
- Não, ela vai com o primo dela.
- Ok...
Foram conversando até a casa de Gabi - na verdade Íris falava sozinha enquanto Sara andava meio calada - até chegarem em poucos minutos à residência dos Gimenez. Uma ruiva saiu pelo portão se despedindo da mãe. Seu olhar estava visivelmente cansado com olheiras sob os olhos azuis.
- E aí, Gabizinha, ficou na balada até tarde ontem? - perguntou Íris.
- Noite difícil... - respondeu a ruiva vagamente.
- Entendo.. Parece que você não mudou nada essas férias, hein? Nem cogitou seguir minhas dicas de moda? - desdenhou a loira examinando as roupas da garota.
- Ah, Íris, eu curto é me vestir assim, pô.
Gabi estava com a mochila cinza, cheia de alfinetes, atravessada nas costas, uma bermuda larga, com um tênis rasgado, uma touca preta na cabeleira ruiva, a camisa da escola um pouco colada ao corpo e um piercing no nariz.
- Fazer o que... - suspirou Íris.
Gabriela lhe mostrou a língua, onde havia outro piercing, e seguiram juntas para a escola. O contraste entre a aparência de Íris e Gabi era inevitável, porém seus temperamentos eram muito parecidos: estavam constantemente agitadas, tinham uma boca grande, e eram também muito explosivas. Mas o importante era que estavam sempre unidas, como as amigas que eram desde a infância.
Chegaram ao colégio apinhado de alunos, pararam ao portão.
- E então, é isso aí. - disse Íris marchando para dentro do colégio.
- Mais um ano letivo, que saco.. - Gabi resmungou um palavrão coçando a cabeça e entrando também pelo portão.
Sara simplesmente suspirou e imitou as amigas adentrando a escola.
FIM DO CAPÍTULO VII
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
CAP.VI - Amor Platônico
Sara parece estar tão triste
Não vê caminhos e nem estradas pra seguir
Mas quem sabe um dia ela volte a sorrir
Pois a vida dá voltas e não há como fugir."
Dinamite Joe - Sara
Sara se despediu do irmão que estava largado no sofá da sala de estar. Este resmungou um "tchau" quase ininteligível e acenou meio sem vontade. A garota tinha certeza que em poucos minutos ele estaria dormindo de novo e sua mãe teria de acordá-lo mais uma vez, ou ele faltaria à aula.
Abriu a porta, uma brisa gélida do amanhecer atingiu sua face. Desceu as escadas com a bolsa vermelha nas costas, virou o quarteirão, dirigindo-se à casa de sua amiga Íris.
Sara era o tipo de menina correta, aquela que deixa seus pais orgulhosos com se boletim no final do ano. Sempre tirava boas notas, era crítica e falava tudo o que pensava, e odiava estar atrasada. Participava de todos os projetos escolares, sejam eles sociais, ambientais, ou apenas clubes de poesia ou organização de festas e bailes. Enfim tinha uma vida razoavelmente boa e um futuro promissor pela frente. Mas os assuntos do seu coração eram deixados de lado e não iam nada bem.
Há anos se apaixonara por aquele rapaz, mas ele sequer a notava. Um cara popular da escola, comprometido com oura garota tão popular quanto ele, como ele teria coragem de dizer o que sentia? Era um verdadeiro dilema... O problema era que ela estava fadada a vê-lo todos os dias na escola, já que estavam na mesma sala. Já fazia tanto tempo que ela sofria com isso, o via sempre na sala de aula, ele até apareciam com frequência em sua casa para sair com Rick e seus amigos, e tudo que ela podia fazer era olhar e se amaldiçoar por gostar de alguém que estava tão perto mas ao mesmo tão distante.
Eu sei de todas as suas tristezas
E alegrias
Mas você nada sabe
Nem da minha fraqueza
Nem da minha covardia
Nem sequer que eu existo
Amor Platônico - Legião Urbana
Não se tratava de um amor não-correspondido, pois ele sequer sabia de seu sentimento por ele. Vai ver ele nem sabia seu nome. Era mesmo um amor platônico, impossível de se realizar. E agora, com o novo ano letivo prestes a começar, Sara iria recomeçar toda aquela sina, de ver o amado com outra, sem poder revelar seu sentimento secreto, do qual só suas melhores amigas sabiam.
Mas o que Sara não esperava é que esse novo ano letivo reservaria muitas surpresas para seu coração.
FIM DO CAPÍTULO VI
Não vê caminhos e nem estradas pra seguir
Mas quem sabe um dia ela volte a sorrir
Pois a vida dá voltas e não há como fugir."
Dinamite Joe - Sara
Sara se despediu do irmão que estava largado no sofá da sala de estar. Este resmungou um "tchau" quase ininteligível e acenou meio sem vontade. A garota tinha certeza que em poucos minutos ele estaria dormindo de novo e sua mãe teria de acordá-lo mais uma vez, ou ele faltaria à aula.
Abriu a porta, uma brisa gélida do amanhecer atingiu sua face. Desceu as escadas com a bolsa vermelha nas costas, virou o quarteirão, dirigindo-se à casa de sua amiga Íris.
Sara era o tipo de menina correta, aquela que deixa seus pais orgulhosos com se boletim no final do ano. Sempre tirava boas notas, era crítica e falava tudo o que pensava, e odiava estar atrasada. Participava de todos os projetos escolares, sejam eles sociais, ambientais, ou apenas clubes de poesia ou organização de festas e bailes. Enfim tinha uma vida razoavelmente boa e um futuro promissor pela frente. Mas os assuntos do seu coração eram deixados de lado e não iam nada bem.
Há anos se apaixonara por aquele rapaz, mas ele sequer a notava. Um cara popular da escola, comprometido com oura garota tão popular quanto ele, como ele teria coragem de dizer o que sentia? Era um verdadeiro dilema... O problema era que ela estava fadada a vê-lo todos os dias na escola, já que estavam na mesma sala. Já fazia tanto tempo que ela sofria com isso, o via sempre na sala de aula, ele até apareciam com frequência em sua casa para sair com Rick e seus amigos, e tudo que ela podia fazer era olhar e se amaldiçoar por gostar de alguém que estava tão perto mas ao mesmo tão distante.
Eu sei de todas as suas tristezas
E alegrias
Mas você nada sabe
Nem da minha fraqueza
Nem da minha covardia
Nem sequer que eu existo
Amor Platônico - Legião Urbana
Não se tratava de um amor não-correspondido, pois ele sequer sabia de seu sentimento por ele. Vai ver ele nem sabia seu nome. Era mesmo um amor platônico, impossível de se realizar. E agora, com o novo ano letivo prestes a começar, Sara iria recomeçar toda aquela sina, de ver o amado com outra, sem poder revelar seu sentimento secreto, do qual só suas melhores amigas sabiam.
Mas o que Sara não esperava é que esse novo ano letivo reservaria muitas surpresas para seu coração.
FIM DO CAPÍTULO VI
domingo, 1 de novembro de 2009
CAP V - Olhos Azuis
" Os olhos mais azuis de todos
Estão me caçando esta noite
Como as estrelas que enchem o céu da meia noite
As lembranças dela enchem a minha mente
Onde eu errei? "
The Bluest Eyes - Nina Persson
- Henrique, acorda logo.
Alguém sacudiu suas cobertas, mas ele não se deu ao trabalho nem de abrir os olhos. Não queria acordar daquele sonho tão bom...
Em seu sonho, ele estava acompanhado de uma linda garota ruiva, de olhos azuis como o céu. Estavam bem próximos, podiam sentir a respiração um do outro, as batidas de seus corações tocavam juntas, compondo a mesma melodia. Estava prestes a beijá-la quando um travesseiro o atingiu com violência no rosto.
- Acorda, babaca!
Abriu os olhos viu que sua irmã, que não era tão delicada quanto sua mãe, estava em pé ao lado de sua cama. Já estava completamente vestida, os cabelos claros cor-de-mel bem penteados, calça jeans e a camisa da escola bem passadas, os olhos verdes fuzilando-o.
- Esqueceu que a gente tem aula daqui a pouco, infeliz?
- Pra que tanta agressividade? - perguntou Henrique entre dentes - Além do mais, eu já ia acordar, Sara.
"Era só esperar o meu sonho acabar... " ficou lá mergulhado nas lembranças daquele doce sonho, tão interessante, quando outra travesseirada acertou sua nuca, com ainda mais violência que a última pancada.
- AI! - exclamou Henrique.
- Anda logo ! - insistiu Sara, impaciente.
- Não sabe esperar? - indagou furiosamente , passando a mão pela nuca, que estava pelando. Resmungou algumas injúrias como "Garota estressadinha" e "Vou contar pra mamãe" e mandou-a sair para que pudesse trocar de roupa.
Ficou pronto em poucos minutos, comeu um pedaço de pão, foi escovar os dentes. Se olhou no espelho, passou uma água nos cabelos negros tingidos, espetando-os. Se imaginou jogando um charme em Gabi. Ridículo. Não queria pensar naquilo. Preferia deixar o papel de palhaço para seu amigo, Daniel.
Henrique, Rick para os amigos, era um rapaz bonito, alto, até um pouco forte. Herdara bonitos olhos verdes da família, bem como os cabelos claros que ele insistia em pintar de preto. Apesar de sua irmã, Sara, ser muito inteligente, Rick era um pouco burro. Repetira a sétima série, razão pela qual ele cairia na mesma classe que sua irmã, um ano mais nova. Agora, procurava estudar em dobro, para não dar mancada e não repetir de ano outra vez, o que fazia dele um aluno razoável. Se olhou no espelho, o piercing na sobrancelha lhe doía graças a pancada de Sara. " Nervosinha", pensava consigo mesmo.
- Rick! - chamou Sara, da cozinha.
- Que fooooi? - perguntou ele, já meio irritado.
- O Rafael ligou e disse que não vai pra escola hoje!
- Por que? - indagou meio surpreso. Faltar no primeiro dia de aula era algo que só acontecia quando um aluno estava acometido de alguma doença grave como dengue ou catapora.
- E eu sei lá! - respondeu Sara, mais mau-humorada que de costume.
Rick pensou em perguntar se ela estava de TPM, porém impediu-se à tempo. Não queria apanhar pela terceira vez naquele dia. "Mulheres são perigosas", pensou assombrado. Sara despediu-se do irmão, falou que encontraria Íris no caminho para a escola. Rick aproveitou a ausência da irmã e deitou-se no sofá, meio estirado, esperou dar a hora para ir chamar Daniel na rua de trás.
Enquanto isso, devaneava com o melhor de seus sonhos, onde sua musa era aquela belha garota de olhos azuis.
FIM DO CAPÍTULO V
Estão me caçando esta noite
Como as estrelas que enchem o céu da meia noite
As lembranças dela enchem a minha mente
Onde eu errei? "
The Bluest Eyes - Nina Persson
- Henrique, acorda logo.
Alguém sacudiu suas cobertas, mas ele não se deu ao trabalho nem de abrir os olhos. Não queria acordar daquele sonho tão bom...
Em seu sonho, ele estava acompanhado de uma linda garota ruiva, de olhos azuis como o céu. Estavam bem próximos, podiam sentir a respiração um do outro, as batidas de seus corações tocavam juntas, compondo a mesma melodia. Estava prestes a beijá-la quando um travesseiro o atingiu com violência no rosto.
- Acorda, babaca!
Abriu os olhos viu que sua irmã, que não era tão delicada quanto sua mãe, estava em pé ao lado de sua cama. Já estava completamente vestida, os cabelos claros cor-de-mel bem penteados, calça jeans e a camisa da escola bem passadas, os olhos verdes fuzilando-o.
- Esqueceu que a gente tem aula daqui a pouco, infeliz?
- Pra que tanta agressividade? - perguntou Henrique entre dentes - Além do mais, eu já ia acordar, Sara.
"Era só esperar o meu sonho acabar... " ficou lá mergulhado nas lembranças daquele doce sonho, tão interessante, quando outra travesseirada acertou sua nuca, com ainda mais violência que a última pancada.
- AI! - exclamou Henrique.
- Anda logo ! - insistiu Sara, impaciente.
- Não sabe esperar? - indagou furiosamente , passando a mão pela nuca, que estava pelando. Resmungou algumas injúrias como "Garota estressadinha" e "Vou contar pra mamãe" e mandou-a sair para que pudesse trocar de roupa.
Ficou pronto em poucos minutos, comeu um pedaço de pão, foi escovar os dentes. Se olhou no espelho, passou uma água nos cabelos negros tingidos, espetando-os. Se imaginou jogando um charme em Gabi. Ridículo. Não queria pensar naquilo. Preferia deixar o papel de palhaço para seu amigo, Daniel.
Henrique, Rick para os amigos, era um rapaz bonito, alto, até um pouco forte. Herdara bonitos olhos verdes da família, bem como os cabelos claros que ele insistia em pintar de preto. Apesar de sua irmã, Sara, ser muito inteligente, Rick era um pouco burro. Repetira a sétima série, razão pela qual ele cairia na mesma classe que sua irmã, um ano mais nova. Agora, procurava estudar em dobro, para não dar mancada e não repetir de ano outra vez, o que fazia dele um aluno razoável. Se olhou no espelho, o piercing na sobrancelha lhe doía graças a pancada de Sara. " Nervosinha", pensava consigo mesmo.
- Rick! - chamou Sara, da cozinha.
- Que fooooi? - perguntou ele, já meio irritado.
- O Rafael ligou e disse que não vai pra escola hoje!
- Por que? - indagou meio surpreso. Faltar no primeiro dia de aula era algo que só acontecia quando um aluno estava acometido de alguma doença grave como dengue ou catapora.
- E eu sei lá! - respondeu Sara, mais mau-humorada que de costume.
Rick pensou em perguntar se ela estava de TPM, porém impediu-se à tempo. Não queria apanhar pela terceira vez naquele dia. "Mulheres são perigosas", pensou assombrado. Sara despediu-se do irmão, falou que encontraria Íris no caminho para a escola. Rick aproveitou a ausência da irmã e deitou-se no sofá, meio estirado, esperou dar a hora para ir chamar Daniel na rua de trás.
Enquanto isso, devaneava com o melhor de seus sonhos, onde sua musa era aquela belha garota de olhos azuis.
FIM DO CAPÍTULO V
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