sexta-feira, 30 de outubro de 2009

CAP. IV - Insônia

"Meus olhos podem ver você mas eles não enxergam
Perdido no relógio um segundo que não quer passar
O travesseiro acorda e ri enquanto eu conto os dedos
E os cabelos que arranquei de tanto desejar."
Insônia - Capital Inicial


A aula começaria apenas às sete horas. Olhou no relógio no visor do celular: cinco e meia da manhã. Fez as contas. Já faziam três horas que estava acordada.
Gabriela ligou a televisão, o volume no mínimo para não acordar a mãe. Sentia-se abatida, mas não conseguia dormir. Após a briga que seus pais tiveram na noite anterior, ficara perturbada. Dormira por algum tempo, mas a insônia, a maldita traiçoeira, se arrastava até a sua cama, lhe fazia dar voltas sem sentido em torno do quarto.
Desde que a crise entre os pais começara, as noites viravam longos dias para Gabi, que achava que essa tormenta nunca acabaria. E agora que retornaria as aulas, a maldita insônia a atrapalharia nos estudos. Sacudiu a cabeça, tentando afastar os maus pensamentos, decidiu subir e trocar de roupa para ir à escola.
A mãe, Mercedes, agora dormia profundamente . O pai, Demétrio, só Deus sabia onde passara a noite. Dormindo, o rosto de sua mãe se encontrava totalmente em paz, como se não existissem brigas e nem conflitos. Pena que Gabi não podia fazer o mesmo.
Olhou-se no espelho, os olhos azuis estavam sonolentos, emoldurados por profundas olheiras. O cabelo ruivo, um pouco encaracolado, estava todo espatifado. Se achou engraçada. Seus lábios esboçaram um sorriso que iluminou o rosto sardento. Sorrir. Isso já era suficiente para esquecer os problemas familiares e os conflitos que ainda estavam por vir.
FIM DO CAPÍTULO IV

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