Acordou assustada no meio da noite. Em seu pequeno quarto, tudo mergulhava em paz, tranqüilidade e na mais profunda escuridão. Tateou à procura de seu celular na mesa de cabeceira .
Três e meia da manhã.
Sentou-se. Seu corpo estava todo suado, o coração tamborilava freneticamente tocando um ritmo desconhecido. Tentava negar, mas não podia: acordara por causa do sonho. Para Ágata, era um pesadelo. E já era a terceira vez naquela semana. Isso era um mau sinal.
Lembrou-se nitidamente do sonho, o rosto dele, os olhos verdes e os cabelos desgrenhados, sentado desajeitadamente no banquinho da praça onde tinham se beijado pela primeira vez. Do nada aparece ela, a garota que nunca havia visto, mas que sempre protagonizava o maldito sonho, sacudindo os cachos negros e compridos. Ela sempre se sentava ao lado dele e o beijava... E ele retribuía impetuosamente, as mãos na cintura da morena... Não! Não estava certo! Guilherme pertencia somente a ela e a mais ninguém! Era apenas um sonho...
E também seu pior pesadelo.
- Só pode ser o estresse, Ágata. Você ainda fica louca... – repetia uma, duas, dez vezes, até estar convicta disso. Apesar de estar em plenas férias escolares, ainda sentia o peso do estresse devido à mudança, que ocorreria em breve. Deixaria a cidade natal, no interior, para ir morar com sua mãe, Vera Lúcia, na capital, São Paulo. Um aperto invadiu seu coração: ainda não avisara Guilherme sobre a mudança. Ele não era seu namorado oficial, mas tinha o direito de saber.
Todavia, quando Ágata tentava contar a nova ao “quase-namorado”, as palavras se perdiam no caminho até a sua boca. Suspirou. Vencida pelo cansaço resolveu tentar dormir um pouco. Sua cabeça latejava e zunia, talvez um pouco de sono aliviasse esse desconforto. Sorte que estava de férias! Tudo o que ela menos queria no momento era ter de acordar cedo na manhã seguinte e encarar qualquer aula entediante naquela escola maldita.
Na opinião de Ágata, não só a escola, mas toda a minúscula cidade interiorana, que sequer existia no mapa, estava repleta de gente fofoqueira, ignorante e falsa. Todas as amizades que tentara cultivar, sem sucesso, romperam-se de maneira rápida devido a índole interesseira das supostas amigas.
- São amigas da onça, isso sim! – dizia Vera Lúcia.
E Ágata era obrigada a concordar com a mãe. Por essas e outras que não seria tão ruim assim sair da cidade. Moraria num apartamento de verdade, numa cidade de verdade e estudaria numa escola de verdade. Aquilo era quase a perfeição.
Só sentiria falta de Guilherme, por quem sempre fora apaixonada e o melhor amigo que tinha no meio daquela gente, depois da mãe e da tia. Era a ele que confiava todo seu amor, sua amizade, sua confiança, indiscutivelmente. Deitou a cabeça no travesseiro, as lembranças do pesadelo invadiam sua mente, pareciam querer queimar seus miolos. Como queria poder dormir, poder inspirar um pouco da paz que emanava de seu quarto... Não podia ser pior do que o pesadelo.
Aí que ela se enganava. Esse era só o começo.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
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sua história é muuito bom meu amor ! não tô falando isso só porque vs é minha melhor amiga, mas vs sabe que é verdade (: parabéns, kelly, vs é uma ótima escritora !
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